Mãe transforma necessidade do filho alérgico em negócio empreendedor no Piauí | Piripiri40Graus

Mãe transforma necessidade do filho alérgico em negócio empreendedor no Piauí



Uma piauiense viu na necessidade do filho, uma oportunidade para dar inicio a um negócio inovador. Mãe do Samuel Lobo de um ano e dez meses, que é alérgico a proteína do leite de vaca, Daiane Lobo começou a pesquisar receitas, testá-las em casa e resolveu montar o Mercado do Alérgico, com loja virtual pelas redes sociais.
“Desde quando Samuel nasceu observamos alguns sintomas como cólica, regurgitação, diarreia e sangue nas fezes, mas todos diziam ser normal isso acontecer até os três meses. A diferença é o que com o tempo a situação deveria ficar melhor, mas acabou piorando. Aos quatro meses recebemos o diagnóstico de Alergia à Proteína do Leite de Vaca (APLV)”, disse.

Daiane conta que quando recebeu a notícia primeira reação foi negar, não acreditar que a sua alimentação estava fazendo tanto mal ao seu filho. “Eu tinha consciência que para meu filho melhorar, eu tinha que deixar de comer qualquer coisa que tivesse a proteína do leite de vaca e assim eu fiz”, contou.
Foi quando a mãe do Samuel decidiu que já que esta era sua nova realidade, iria procurar entender a alergia mais a fundo. “É importante entender a diferença entre intolerância a lactose e alergia à proteína do leite de vaca. Lactose é um açúcar do leite, a pessoa que tem intolerância a lactose pode sim ingerir leite e seus derivados desde que não tenha lactose. Já o alérgico a proteína do leite de vaca ele não pode consumir de forma alguma. Esta é apenas um tipo de alergia, procurei aprender o máximo que podia”, explicou.
Com o tempo, estudando tudo que eu podia sobre a alergia, Daiane descobriu que há três formas de contaminação. A principal é a ingestão de qualquer produto com proteína do leite de vaca, outra forma é conhecida por traços, que é quando se utiliza o mesmo maquinário, panela e recipientes para fazer comida ou guardar produtos com que contenham a proteína, e uma terceira forma conhecida como contaminação cruzada, quando se usa utensílios em alguma comida com a proteína do leite e depois a usa em algo sem a proteína.

“Eu tive que refazer a minha cozinha, jogar no lixo praticamente tudo que poderia estar com traço da proteína. Aprendi que os utensílios usados na minha cozinha só poderiam ser de vidros, alumínio, inox e porcelana, todo o resto foi jogado no lixo. Aprendi que até mesmo alguns produtos de higiene contêm traços da proteína e me desfiz de tudo. Naquele momento estávamos iniciando uma nova vida”, contou.
De acordo com a empresária, várias foram as vezes que ela foi taxada de chata, metódica por não comer a mesma coisa que outros. “Não podia comer nada sem saber como era feito e por isso muitas vezes fui taxada de chata, e ainda sou na verdade. Quem está de fora não aceita essa situação com naturalidade, para minha surpresa e tristeza, as pessoas mais próximas não conseguiam e algumas ainda não conseguem entender que não podemos comer, que não é ‘frescura’ como muitos acreditam ser, que ‘só um pouquinho’ vai fazer mal sim”, destacou.
Experiência compartilhada
Daiane aos poucos aprendeu a cozinhar. Com o tempo ela já conseguia identificar todas as substâncias derivadas da proteína do leite e em quais produtos elas estão presentes. A mãe do Samuel conta que ficava feliz em conhecer tudo sobre a alergia do filho, mas que começou a sentir falta do que comia antes.
“Eu tinha que fazer minha marmita para levar a todo lugar que eu fosse. Minha vontade de comer um creme de galinha, por exemplo, era tão grande que decidi que iria aprender a fazer um creme de galinha sem nenhuma proteína do leite. Aprofundei-me mais e mais nas pesquisas de receitas e toda conquista, toda comida nova eu compartilhava em um grupo de mãe de APLVs. Com o tempo muitas foram me pedido para vender as comidas e foi aí que o Mercado do Alérgico surgiu”, disse.

Aos sete meses, a médica autorizou a introdução de comida na alimentação do Samuel que anteriormente era apenas a amamentação. “Eu poderia sim, ter parado de amamentar e voltar para minha alimentação normal, afinal era apenas eu fazer a comidinha dele diferente da nossa, mas não achei justo, além do trabalho que seria em dobro”, contou.

Para Daiane, aprender novas receitas para que o filho possa ter uma alimentação a mais diversificada possível é um incentivo diário, mas o crescimento na venda de seus produtos a faz sair da sua zona de conforto e trabalhar para que haja mais opções para crianças com a mesma alergia que Samuel.
“Se eu posso deixar a alimentação dele um pouco mais normal porque não fazer isso. Eu fico imensamente feliz quando as minhas clientes compram meus produtos para os filhos, mais fico ainda mais feliz quando uma cliente me procura para fazer algum bolo, ou pizza não porque o filho tem alergia, mas porque o coleguinha do filho é alérgico e ela quer que todos comam o mesmo alimento. Tem coisa mais linda do que isso? Uma mãe se colocando no lugar da outra”, destaca.
A empresária afirma que o caminho é doloroso e cansativo, mas que jamais pensou em deixar de fazer qualquer que seja o sacrifício pelo filho.
“Se eu espero que um dia meu filho se cure, com certeza, mas jamais deixaria de fazer qualquer coisa por ele, por isso mesmo amamento até hoje. O Samuel é bebê muito desejado, amado, acarinhado. Ele é minha vida, tudo que fiz e faço é por ele, por causa dele. E se eu tivesse que passar por tudo que eu já passei por ele, começar do zero novamente eu nem pensaria, apenas começava tudo de novo”, finalizou.

G1.com/PI

Notícias Relacionadas

Geral 8844298892164323881

Postar um comentárioDefault Comments

emo-but-icon

Facebook

Parceiros

item