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Descoberto o planeta mais quente do universo

Durante anos, astrônomos de todo o mundo competem para encontrar o planeta mais parecido com a Terra fora do sistema solar. Utilizam telescópios terrestres e espaciais para rastrear o universo em busca de mundos rochosos, com uma atmosfera protetora, água líquida e, possivelmente, vida.

Nesta segunda-feira, uma equipe de astrônomos apresenta uma descoberta oposta a tudo isso, mas não menos apaixonante. O planeta foi identificado com um telescópio extremamente pequeno, chamado de KELT, cujo objetivo é detectar exoplanetas ao redor de estrelas muito maiores, brilhantes e violentas do que o Sol. Esses astros parecem abrigar muito menos planetas do que as estrelas menores, e uma possível explicação é que esses mundos acabam sendo devorados por sua estrela ou desintegrados pela intensa radiação.
Os responsáveis pelo telescópio descrevem nesta segunda-feira, na revista Nature, o Kelt-9b, um planeta gasoso cerca de duas vezes maior do que Júpiter e que está 30 vezes mais perto de sua estrela do que a Terra do Sol, o que o torna o gigante gasoso mais quente descoberto até o momento.
O novo mundo está a 650 anos-luz. Lá, um ano terrestre dura um dia e meio, o tempo necessário para dar uma volta em torno da estrela. O Kelt 9-b oferece sempre a mesma face ao seu astro. A temperatura na face iluminada ultrapassa 4.300 graus, quase 10 vezes mais do que em Vênus, o planeta mais quente do sistema solar. O calor e a radiação fazem com que os átomos da atmosfera vibrem tanto que é impossível que se unam para formar água ou qualquer outra molécula com a qual possa ser possível construir uma química minimamente habitável.
Um futuro brilhante
O planeta apresenta os mesmos mistérios que outros gigantes gasosos, mais parecidos com estrelas do que com planetas. O Kelt-9b leva isso ao extremo, pois sua temperatura é mais elevada do que a da maioria das estrelas. “Além de hidrogênio e hélio, os elementos detectados são metais neutros, como potássio e sódio”, diz Scott Gaudi, astrônomo da Universidade do Estado de Ohio (EUA) e coordenador do estudo. É um mistério se este júpiter quente tem um núcleo sólido, embora “segundo a maioria das teorias de formação planetária, deveria ter um e ser composto de rocha e gelo a uma temperatura de cerca de 50.000 kelvin [49.700 graus]”, disse Gaudi.
Com os atuais níveis de radiação ultravioleta, o planeta perderia toda sua atmosfera em 600 milhões de anos, com isso expondo seu núcleo. Mas muito antes, em 200 milhões de anos, a estrela consumirá todo o hidrogênio contido e iniciará um processo de envelhecimento e morte, que triplicará seu tamanho. Se ainda restar algo do planeta, é possível que seja engolido, causando uma grande explosão de luz, explica o estudo.
“Este planeta é o mais distante em termos de vida, o mais extremo, o mais inóspito e infernal, mas, graças ao estudo de sua atmosfera, vamos aprender uma nova astrofísica”, destaca Ignasi Ribas, pesquisador do Instituto de Ciências do Espaço, em Barcelona. A descoberta também reforça a ideia de que “existem planetas em toda parte, inclusive nas estrelas mais quentes”, acrescenta o astrônomo.
El País 

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